Reflexões sobre o tema 1
Essa questão inquieta você?
Enquanto
professora, muitas vezes já sair de sala de aula angustiada porque os alunos
preferiram navegar no smartphones a me
ouvir. Quando isso acontece, nós,
professores ficamos desesperados, não paramos para pensar que nesse tipo de
aula falamos o tempo todo, como se o aluno só tivesse olhos e memória. Essa é
uma situação típica no cenário educacional cuja solução acontece de diferentes
formas.
Alguns
professores usam o autoritarismo e obrigam o aluno prestar atenção na
explicação. Será que essa via é a mais adequada? Parece-me que tais educadores fecham os olhos
para o cenário frenético em que as pessoas fazem mil coisas e estão em vários
lugares ao mesmo tempo. Tudo no século XXI é dinâmico e muda rapidamente, como
diz a música “tudo muda o tempo todo no mundo” (Lulu Santos).
Infelizmente
uma parte dos educadores ainda não se sensibilizarem em abrir-se para ouvir as
necessidades do aluno que vive e partilha sua vida de modo on line. Estamos falando dos nativos digitais. É a geração tecnológica que vive, pensa e faz
tudo ao mesmo tempo. Eles realizam multitarefa, têm pensamento paralelo, usam
multi recursos e são habilidosos no manuseio das multimídias.
Segundo
o pesquisador Nilbo Nogueira (https://www.youtube.com/watch?v=eguk20076c)
os nativos
digitais têm necessidade do dinamismo, por isso, não se sentem motivados
pelas aulas em que os recursos são limitados, uso apenas do texto, da tarefa
única e do pensamento sequencial. O aluno não se movimenta, nem fisicamente nem
cognitivamente, ele é observador, passivo, recebe informações que lhe são
transmitidas. Esse modelo de aula para ele
é insuficiente, comprova as pesquisas e os próprios educadores.
O mundo
mudou, a ciência e as tecnologias se aperfeiçoaram. As necessidades humanas se
transformaram e o aluno também. Nilbo Nogueira chama atenção para as
necessidades do aluno. Esse olhar sensível ao aluno causa implicação nos
processos de aprendizagem, de modo a gerar alterações significativas no ensino.
De uma perspectiva autoritária, obrigatória e linear em que a necessidade do
aluno não é considerada passa-se para processos de aprendizagem mais flexíveis,
livres, circulares e ativos. Assim, o aluno sente-se desafiado. Ele se vê em
situações que exige o exercício de seu pensamento, ação, colaboração, investigação
e realização de várias tarefas simultaneamente.
Esse
modelo de aprendizagem é uma das soluções apresentadas pelos estudiosos que tem
se debruçado a pesquisarem e investigarem sobre as metodologias ativas cujo como
objetivo central é muito mais do que fazer o aluno prestar atenção nas aulas. A
expectativa é conectar o aluno aos processos de aprendizagem, de modo a ser
protagonista e agente do próprio conhecimento. Estamos falando em aulas que se
realizam por meio de algumas metodologias ativas, como: aula invertida, aprendizagem
baseada em problemas (PBL), aprendizagem baseada em projetos (ABP). Geralmente,
essa metodologia faz uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s)
para que possa ser desenvolvida.
Nosso objetivo aqui não é aprofundar em cada
uma dessas três perspectivas, trata-se apenas de mencioná-las, porém para
aqueles que se interessarem nesse assunto indicamos alguns trabalhos[1].
Mas,
afinal como funcionam as metodologias ativas que se realizam por meio de
projetos?
Para
fazer essa demonstração pesquisamos o trabalho desenvolvido em uma Associação
Civil de Assistência Social cuja natureza é beneficente, filantrópica e
cultural e não tem fins econômicos e nem lucrativo. Essa instituição atua na
área de Assistência social e educação. Está localizada no interior do Estado de
São Paulo – município de Cotia-SP, destina-se em atender famílias desse
município e cidades vizinhas.
Essa
entidade compreende que a escola é
um espaço de humanização no qual a criança é
convidada a vivenciar os conhecimentos, as diversas formas de compreender
e estar no mundo que a cerca. A escola é um local que propicia oportunidades
para desenvolvimento de habilidades sociais, críticas e da autonomia. (http://www.projetoancora.org.br)
A criança é compreendida como
um indivíduo único e deve ser tratado como
tal. Não nos interessam as padronizações escolares convencionais de idade,
séries, gênero. O que nos importa são os interesses do educando, suas
necessidades, descobrir e encorajar suas aptidões e potencialidades,
respeitando sempre sua história e sua cultura. (http://www.projetoancora.org.br/)
O seu ideal de
educação é o “aprender sem
paredes, no convívio com os outros”. (http://www.projetoancora.org.br)
E a principal razão de existir está associada ao desenvolvimento de “cidadãos conscientes de suas capacidades para
construir coletivamente uma sociedade justa, equilibrada e sustentável” (http://www.projetoancora.org.br). Os trabalhos educativos dessa escola são
desenvolvidos por meio do projeto cujo nome é Âncora. Eis a maneira como ele
funciona: “ implode a
tradicional relação hierárquica entre mestre e discípulo. Aqui o aprender se
faz junto, na troca de experiências, de ideias, de gostos e de sonhos. Temos
como meta o desenvolvimento da autonomia - a do educando e a
dos educadores”. (http://www.projetoancora.org.br).
Para isso a escola dispõe de “ferramentas que auxiliam a prática pedagógica,
possibilitando o exercício da reflexão, da autonomia e do engajamento coletivo”
(http://www.projetoancora.org.br). Nessa perspectiva as salas de aulas são
substituídas pelos espaços de convivência. Esses são
espaços de aprendizagem todo e
qualquer local em que a criança se sinta à vontade para aprender e, nos 11 mil
m² de terreno do Projeto Âncora, estão amplas áreas verdes, quadras de esporte,
circo, salões de estudo equipados com livros didáticos e computadores,
refeitórios, pista de skate, salas de música, de dança e de artes e uma
biblioteca com mais de dez mil livros. (http://www.projetoancora.org.br)
Para melhor compreendermos a lógica dessa
escola, vejamos a figura abaixo:
As
estratégias que utilizam para o alcance do exercício da participação e
autonomia se dão por meio de Oficinas e Comunidades de aprendizagem cujo objetivo é o
“Serviço de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos”. Para isso,
são oferecidas diversas
oficinas que favorecem o aprendizado na prática. Circo, teatro, artes
plásticas, canto, instrumentos musicais, produção musical, tricô, horta, inglês,
espanhol, italiano, skate, esportes, marcenaria, culinária, eutonia, capoeira,
danças brasileiras e confecção de brinquedos são alguns exemplos. Contamos
ainda com parceiros que fornecem atividades fora da instituição: a Escola
Raquel Natação, o Instituto Barrichello Kanaan e a Associação de Serviços
Comunitários a Idosos (ASCI).
(http://www.projetoancora.org.br)
As comunidades de
aprendizagem
são práxis comunitárias baseadas em um modelo
educacional gerador de desenvolvimento sustentável. É a expansão da prática
educacional do Projeto Âncora para além de seus muros, envolvendo ativamente a
comunidade na consolidação de uma sociedade participativa. Os projetos a seguir
são os primeiros passos para a formação de comunidades de aprendizagem. (http://www.projetoancora.org.br)
Tais comunidades se subdividem em: Escola de Mosaico, Bancos de Superadobe,
Projeto Convidam Suave, Pontes Digitais- Encontros de Educação. As atividades
que acontecem em cada uma delas podem ser observadas a seguir.
Escola de Mosaico-
Ensino da técnica para revestimento de grandes
áreas de piso e parede em formato de curso profissionalizante. Essa atividade
já existe há 16 anos e inúmeros painéis foram executados em todo o País
proporcionando renda para membros da comunidade local.
Bancos de Superadobe-
Projeto de produção de bancos de superadobe com
revestimento em mosaico, com a participação de jovens, suas famílias e membros
da comunidade para a construção e distribuição pelos bairros da região. O
projeto visa a partilhar a técnica de bioconstrução com as comunidades
atendidas.
Projeto Convidam Suave-
A partir do desejo de um educando em acabar com o
lixo no mundo, surgiu o Convidam Suave (Construindo uma vida melhor no bairro
do Recanto Suave), bairro que estamos inseridos e residência de muitos
atendidos. Mutirão de limpeza, reuniões comunitárias, estudos práticos de
permacultura e a horta do Âncora são ações que integram este projeto
comunitário
Pontes Digitais-
Projeto de implantação de TICs – Tecnologias de
Informação e Comunicação – nas comunidades de aprendizagem, para apoiar a
relação entre a escola e a comunidade. É realizado em parceria com a Natura e o
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Cotia
Encontros de Educação-
Projeto que promove encontros com o tema da
educação, com a presença do professor José Pacheco, educadores do Projeto
Âncora e diferentes convidados a cada edição. A partir dos encontros, são
produzidos vídeos e livros para serem utilizados na formação de educadores. (http://www.projetoancora.org.br)
Com base no projeto
Âncora, parece ser difícil o aluno não ter interesse e motivação para
participar das aulas. Portanto, é uma saída mais democrática e formativa
ao aluno.
Referências:
2. Projeto Âncora
(http://www.projetoancora.org.br)
[1] A título de sugestão, tem-se o trabalho de ARAÚJO, U.
F.; SASTRE, G. (Org.). Aprendizagem baseada em problemas no ensino superior.
São Paulo, SP: Summus Editorial, 2009. E o de
ESTEVE, J. M. (2004). A terceira revolução educacional: a
educação na sociedade do conhecimento. São Paulo, SP: Moderna, 2004.

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